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concurso de microcontos EACWP

«o outro lado das histórias» de Rafaela Araújo é finalista no concurso europeu de microcontos

Rafaela Araújo é a representante portuguesa na final do concurso de Microcontos da EACWP e foi entrevistada pela nossa formadora Susana Otão.

 

  • microconto finalista de Portugal:

o outro lado das histórias

a rapariga olha para o final da linha. sente que o sol a pode levar a qualquer lado. mas a sua cabeça cala-se. acontece-lhe muito, ultimamente. é como se um rio parasse dentro de si. pensa no que poderá estar a barrar-lhe as águas. que talvez não saiba contar histórias. ou que as histórias que sabe possam existir para não ser contadas. que o comboio teima em não chegar e que o medo tem destas coisas. lembra-se ainda que as barragens produzem luz e olha para a outra margem de si. talvez não haja mal nenhum em ser um pássaro.

Rafaela Araújo

 

  • entrevista

Rafaela Araújo é a grande vencedora portuguesa do curso de Microcontos da EACWP, com «o outro lado das histórias». Aos 5 anos disse à mãe que queria escrever a história da sua vida e, hoje, aos 39, já leva muitas páginas escritas do sonho de, um dia, se dedicar em exclusivo às palavras. É Psicóloga e vive em Aveiro.
Entrevista de Susana Otão, junho 2024.

– Quando despertou para a escrita?
A minha mãe conta-me que eu devia ter uns 5 anos quando lhe disse a primeira vez: «Vou para o meu quarto escrever a história da minha vida». E a partir de rabiscos já criava narrativas. Depois comecei a escrever diários e, na escola, venci diversos concursos literários. Mas sempre escrevi como hobby, em jeito de catarse, não valorizando seriamente que este podia ser um caminho.

– Qual o sabor desta vitória?
Estou muito feliz. É um sinal que me mostra que tenho capacidade para continuar a escrever. A escrita é para mim muito importante pois sinto-a como uma necessidade e uma missão. Sempre escrevi micronarrativas, mas de forma inconsciente. Só quando fiz o curso de Microcontos na Escrever Escrever, com a Viviane Almeida, fiquei mais desperta para este género literário, que se encaixa perfeitamente no modo como gosto de escrever.

– Como surgiu a ideia desta história e qual foi o processo para a escrever?
Foi curioso. Eu ia para o Porto e o comboio estava muito atrasado. Sentei-me e pensei: «vou aproveitar para escrever». Mas não me saía nada, comecei a ter pensamentos negativos de que não era capaz, que afinal não tinha a aptidão… e de repente coloquei-me do outro lado da história.

– Quais são os seus autores de referência?
A minha grande referência é o Afonso Cruz e o Mia Couto. De momento, estou a ler o Infinito num Junco, de Irene Vallejo, e estou a gostar muito da força poética do livro, da sua visão e de como enaltece algo que é tão adquirido, mas continua com a capacidade de mudar o Mundo, que são as palavras e os livros.

– Lembra-se do primeiro livro que leu?
Foi Os Sonhadores, de António Mota. Foi um livro que me tocou bastante e que recordo sempre.

– Que planos ou sonhos tem para a sua escrita?
Primeiro que tudo, arranjar mais tempo para escrever. Gostava ainda de conseguir aliar a minha profissão de psicóloga com a escrita e intervencionar a partir daí. Interessa-me bastante a intervenção primária, a prevenção, e motivar e ensinar. Paralelamente, gostaria de explorar um pouco mais a parte da ficção e, quem sabe, um dia escrever um romance.

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