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Cianómetro. Ou o céu na nossa mão.

Inventado a olhar para o céu, o cianómetro foi obra de Horace Bénédict de Saussure. Um geólogo e naturalista suíço que viveu no séc. XVIII, pioneiro do alpinismo científico.
O Monte Branco, nos Alpes, era considerado na altura o «monte maldito». Dizia-se que, à medida que se subia, o céu ia ficando cada mais escuro e acabava por engolir os alpinistas no negro total. Sausurre quis saber como. Colou num disco tiras de papel tingidas em diferentes tonalidades de azul e escalou a montanha. Durante as quatro horas e meia da expedição, mediu a pressão atmosférica, a humidade e verificou a sua relação com a cor do céu. Continuou as experiências e ampliou o cianómetro para 52 graus de azul. O topo do Monte Branco corresponderia a 39 graus, o mais escuro de todas as suas observações.
Mais tarde, o explorador Humboldt usou o mesmo instrumento e chegou a um novo recorde: um azul de 46 graus no cume do Monte Chimborazo, nos Andes.

A ciência moderna explica a verdadeira razão do azul, a dispersão da luz na atmosfera. E no entanto… é olhando para o cianómetro de Sausurre que nos sentimos mais perto do céu.

Ah! e se o nome soa familiar, tem razão. O cientista é antepassado do linguista e semiólogo Ferdinand de Sausurre. Vem tudo dar à escrita…