
Os portugueses andam a sorrir menos. A conclusão é de um estudo do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa.
O «sorriso largo» de alegria tem dado lugar a expressões de neutralidade e fadiga. «O sorriso é mais inibido do que exibido», afirma o Professor Freitas-Magalhães, coordenador da investigação.
O estudo, que analisou fotografias publicadas nos média ao longo de uma década, sublinhou: 1) as crises económicas e conflitos geopolíticos moldam o nosso comportamento facial; 2) a comunicação digital atrofia a musculatura facial e torna as expressões mais limitadas; 3) o rosto do português médio apresenta sinais de envelhecimento precoce devido aos altos índices de ansiedade coletiva.
Mas há um paradoxo: 71% dos portugueses declaram-se felizes e cerca de 73% dizem estar satisfeitos com a vida – os níveis mais elevados desde 2015 (Observatório da Sociedade Portuguesa, Univ. Católica, dezembro 2025).
Para onde foi, então, o nosso sorriso? A verdade é que gostamos de o receber – no balcão do café, no elevador, no ecrã do telemóvel…
Se calhar, estamos só à espera do sorriso do outro. Quem começa?