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Escreveria só para ser lido daqui a 100 anos?

Future Library: a biblioteca que só vai abrir em 2114

A biblioteca mais silenciosa do mundo está em Oslo, Noruega. Chama-se Future Library: todos os anos, desde 2014, um escritor entrega um manuscrito que ficará fechado até 2114. Serão um total de 100 livros inéditos.
Margaret Atwood, Han Kang, Ocean Vuong já lá deixaram livros que ainda ninguém leu. Em agosto deste ano, foi a vez de Laurie Anderson. Sobre o que vai escrever, revelou, «espero poder escrever algo útil sobre o amor para as pessoas que me lerem em 2114. Os meus livros preferidos são aqueles em que consigo ouvir a voz de alguém, por isso, farei o possível para me fazer entender por quem encontrar esses livros no próximo século».
No norte da Noruega, a floresta de Nordmarka é a segunda parte do projeto: em 2014 foram plantadas 1000 árvores que, depois de um século, serão cortadas e utilizadas para imprimir os 100 manuscritos. Entretanto, vão crescendo devagar.
Aqui na Escrever Escrever, também acreditamos na escrita como um ato de plantar, mais do que colher. Nas sessões, partilhamos textos e ideias, percorremos vários caminhos da escrita, escutamos a voz de cada um. Com tempo e gosto pela descoberta. Afinal, qual é a pressa?

O Future Library Project foi criado por Katie Paterson, premiada artista multidisciplinar escocesa, que trabalha temas como ecologia, geologia e cosmologia, interligando natureza, ciência e tecnologia.