Noutras linhas...

Turner, escrita e flow

 

O famoso pintor inglês William Turner frequentou aulas de desenho toda a sua vida – não porque precisasse, mas porque achava que era a forma de manter a mão viva e ágil. Da nossa experiência, sabemos que a prática, regular e acumulada, é o «segredo» da criatividade. E a neurociência dá-nos razão!

Um ensaio recente da revista Aeon explica. À medida que repetimos os movimentos do nosso ofício, o cérebro transfere essa competência da memória explícita – esforçada, consciente – para uma memória implícita, quase automática. Com a continuação, chegamos a um estado de flow: termo cunhado em 1975 pelo cientista húngaro-americano Mihaly Csikszentmihalyi.

Flow é o estado de imersão total em que perdemos a noção do tempo e agimos sem esforço aparente — na escrita, na música, no desporto ou em qualquer outra atividade.

Para quem escreve, ou quer começar, é importante perceber que o mito do génio criativo não passa disso mesmo: um mito. Escrever não é «dom divino», nem acontece por inspiração. É prática. Precisamos de nos sentar e escrever. Palavra a palavra, linha a linha. Até que a escrita passe de esforço a criação, de trabalho a flow.